Radar · Ceará · 14 de outubro de 2026
Data centers no Nordeste: o modelo do Ceará vira meta do governo federal
O Pecém tem três promessas de projeto e uma conta ainda aberta: quem fica empregado, abastecido e ouvido quando a obra termina.
No sábado (10/10), o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira, disse que o governo federal quer levar o modelo cearense de data centers para todo o Nordeste. A receita, segundo ele, tem três pilares: energia renovável, a rede de cabos submarinos ancorada em Fortaleza e a segurança jurídica do Redata, regime especial de tributação para serviços de data center criado pela Lei 15.504/2026, sancionada em 15 de setembro e ainda dependente de regulamentação.
O que os números mostram
O projeto mais avançado é o da Omnia para a ByteDance, dona do TikTok, no Pecém: R$ 200 bilhões no total e 200 MW na primeira fase. Segundo O Povo, todos os data centers em operação no Brasil somam cerca de 700 MW, e esse primeiro módulo aumentaria em 28,5% a capacidade do país. É o primeiro de cinco data centers autorizados na ZPE do Ceará.
Há outros nomes na fila. A Voltalia prevê R$ 181,7 bilhões em quatro anos em Caucaia, com 2.300 empregos diretos na obra e 400 na operação; a licença prévia está em análise na Semace, e o projeto promete priorizar água de reúso. Em julho, o Diário do Nordeste noticiou, com base em fonte anônima, que um projeto de R$ 350 bilhões ligado à Tecto, da V.tal, seria anunciado na ZPE do Pecém. A empresa não confirmou.
O que fica fora da conta
As estimativas variam bastante. A FGV, citada pelo ministro, calcula 12,5 mil empregos na construção de um data center de inteligência artificial no Pecém e 1.860 postos permanentes na operação. O projeto da Voltalia fala em 400 vagas na operação. Em qualquer cenário, a obra emprega muito mais gente do que a operação, e a obra termina.
A ZPE informa que, por lei, não pode divulgar dados comerciais, operacionais ou financeiros das empresas, e que a estrutura vai exigir a expansão de usinas eólicas e solares. Na reportagem de O Povo, não aparecem números de consumo de energia e de água.
Nossa leitura
Energia, cabos e regras tributárias resolvem a parte que o investidor enxerga. O que decide se um data center vira desenvolvimento ou só uma construção grande é o quarto ingrediente: técnicos formados na região, fornecedores locais e comunidades vizinhas informadas desde o início. Quem pensa em replicar o modelo em outros estados pode começar por perguntas simples: quantas vagas permanentes, quanta água, quanta energia e quem, na região, vai ser contratado para ocupá-las?
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