Radar · Nordeste · 14 de outubro de 2026
Transnordestina: 84% da primeira fase, e a expectativa já passa do Ceará
Faltam 221 km até o Pecém, previstos para o fim de 2027. Enquanto isso, quem compra ração e vende boi em Pernambuco já faz a conta do frete.
Em setembro, a Transnordestina concluiu o lote 6, entre Quixeramobim e Quixadá (50 km), e chegou a 832 km executados na primeira fase, o equivalente a 84% do trecho até o Porto do Pecém. Restam 221 km, previstos para o fim de 2027. Ainda em 2026, a meta é entregar Quixadá a Itapiúna e parte do trecho Caucaia a Pecém, somando 120 km no ano, segundo a Transporte Moderno.
O dinheiro e o que já roda
O orçamento da obra é de R$ 15 bilhões, dos quais R$ 7,4 bilhões vêm do FDNE. Desde 2008, R$ 6,2 bilhões foram liberados. Em setembro, a Sudene aprovou mais R$ 77,2 milhões. Para 2026, o contrato prevê R$ 1 bilhão do fundo, e R$ 400 milhões ainda aguardam disponibilidade financeira, segundo o Movimento Econômico.
Parte da ferrovia já transporta carga. Em dezembro de 2025, um trem com 20 vagões levou milho por cerca de 585 km entre Bela Vista do Piauí e Iguatu, e em janeiro de 2026 o mesmo corredor recebeu sorgo. A TLSA, concessionária da obra, pediu ao Ibama a inclusão de mais 150 km na licença de operação, o que permitiria estender a operação comercial até Quixadá.
Para além do Ceará
Segundo O Povo (14/10), a segunda fase, entre Paes Landim e Eliseu Martins, no Piauí, está em cerca de 40%, com entrega prevista para 2028. O trecho até o Porto de Suape, em Pernambuco, ainda está em estudos técnicos, sem data. Mesmo assim, produtores pernambucanos já esperam frete menor para grãos e insumos e ração mais barata, o que poderia chegar ao preço da carne. O economista Thiago Bernardino, da USP, aponta ainda novas opções de alimentação animal, como o DDG, subproduto do etanol de milho. Um pecuarista ouvido pela reportagem cita, entre os fatores de crescimento do setor, novos frigoríficos, como o da Masterboi em construção em Iguatu (CE).
Nossa leitura
Há duas ferrovias na conversa: a que já opera em trechos, com milho e sorgo, e a que ainda é promessa. Quem planeja contratos de frete, abate ou armazenagem precisa separar as duas, porque os 221 km do Ceará, os 40% do Piauí e os estudos até Suape têm datas bem diferentes. O ritmo de liberação do FDNE, em parcelas, também influencia o calendário. A pergunta útil para as cidades no trajeto é o que cada lote entrega antes da ferrovia completa: carga, terminal e emprego fixo.
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