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Radar · Nordeste · 21 de outubro de 2026

Energia que sobra: 1 em cada 5 megawatts renováveis ficou sem uso em 2026

O Nordeste concentra 83% dos cortes de geração do país. O plano de energia até 2036 aponta o data center como novo cliente, e o Banco do Nordeste abriu US$ 67 milhões para fio e bateria.

Radar ISBR · Redação · 1 min de leitura

Turbinas eólicas sobre dunas em Canoa Quebrada, Aracati, Ceará
Canoa Quebrada, Aracati (CE). Foto: Jaime Dantas/Unsplash

De janeiro a agosto de 2026, 20,9% da energia que as usinas eólicas e solares do país poderiam ter produzido ficou sem uso, contra 18% no mesmo período de 2025, segundo dados do ONS compilados pelo Canal Solar. O Nordeste respondeu por cerca de 83% desses cortes de geração: 3.403 megawatts médios, 20% a mais que um ano antes.

O que os números mostram

O motivo que mais cresceu foi a chamada razão energética, quando sobra energia e falta quem consuma: alta de 66%. Nas usinas solares, esse tipo de corte subiu 82,5%. Não falta vento nem sol. Falta demanda e falta linha para levar a energia até ela.

O Plano Decenal de Energia até 2036, em consulta pública desde 8 de outubro, projeta que o Nordeste atraia quase 30% dos novos data centers de grande porte e que a carga da região cresça 3,7% ao ano, a maior taxa entre os subsistemas. O mesmo plano admite que os cortes devem continuar em patamar parecido com o de 2026 e recomenda reforços de transmissão, como o Bipolo Nordeste II.

O dinheiro que apareceu

No dia 15, o Banco do Nordeste anunciou US$ 67 milhões, metade do BID e metade dos Climate Investment Funds, para redes, digitalização, armazenamento, baterias e hidrogênio verde. Os recursos devem estar disponíveis no início de 2027. O efeito na conta de luz depende de quem contrata e de quem paga os investimentos.

Nossa leitura

O Nordeste já produz mais energia limpa do que consegue usar ou transportar. Data center, hidrogênio e bateria são formas de transformar essa sobra em contrato, e os primeiros projetos com comprador definido vão ocupar as linhas que existem hoje.

Quem deveria conversar: geradores com usinas cortadas, operadores de data center, o Banco do Nordeste e as distribuidoras, para desenhar armazenamento que já nasça com comprador.

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