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De perto · Ceará · 21 de outubro de 2026

A praia por onde o Brasil fala com o mundo

Os cabos já chegaram e os data centers estão chegando. A pergunta agora é o que acontece entre o cabo e a cidade: como a infraestrutura vira oportunidade para quem mora aqui.

Por Paulo Sombra · 2 min de leitura

Praia do Futuro, em Fortaleza: mar, areia e céu azul, onde chegam os cabos submarinos de internet
Praia do Futuro, Fortaleza. Foto: Adrian Michael/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Quase todo dado que sai do Brasil ou chega ao país passa por um trecho de areia em Fortaleza. Na Praia do Futuro chegam 16 cabos submarinos em operação, e por eles passa perto de 90% do tráfego internacional de dados do país, segundo o NIC.br. Nenhuma cidade da América Latina tem tantos cabos.

O próximo já tem nome: o Synapse, da V.tal, que vai ligar Nova Jersey a Praia Grande, em São Paulo, com um ramal de 460 quilômetros até Fortaleza, desenhado para a demanda de inteligência artificial e nuvem. A conclusão está prevista para o período entre 2029 e 2030.

Por muito tempo, o cabo chegava, a fibra seguia para o Sudeste e a cidade ficava com a placa na praia. Isso começou a mudar quando os dados passaram a ficar. O Mega Lobster, aberto no fim de 2025 na própria Praia do Futuro, é hoje o maior data center em operação no Nordeste, com 20 MW. No Pecém, o data center ligado ao TikTok avança, com 200 MW na primeira fase, prevista para 2027, e energia de parques eólicos. No último sábado, o ministro das Comunicações disse que o governo federal quer replicar esse modelo em todo o Nordeste.

A pergunta desta coluna é o que acontece entre o cabo e a cidade. Um data center emprega muita gente para ser construído e pouca para operar: no Pecém, a Omnia, responsável pelo projeto, prevê cerca de 3.800 empregos diretos na obra e 400 na operação. O que fica no território depende do que nasce em volta: manutenção elétrica e de refrigeração, segurança, engenharia, energia, formação técnica e empresas que transformam a proximidade dos dados em vantagem.

Um cabo dura cerca de 25 anos. É o tempo que o Ceará tem para decidir se será a praia por onde os dados passam ou a cidade onde eles trabalham.

Para quem decide

Um data center emprega muita gente para ser construído e pouca para operar. O que fica no território depende do que nasce em volta dele.

Se você tem 20 anos

Quem vai manter esses data centers funcionando a partir de 2027? Técnico em elétrica, refrigeração e redes é a formação que vai fazer falta, e ela começa agora.

Quem deveria conversar

  • Operadores de data center e escolas técnicas e universidades do Ceará. O técnico que vai faltar em 2027 precisa começar a ser formado agora.
  • Geradores de energia renovável e indústrias cearenses que exportam. Quem vende lá fora precisa provar energia limpa ao comprador.
  • Empresas de software do Nordeste e operadores de cabos e data centers. Latência baixa só vira vantagem quando vira produto vendido daqui.

Para acompanhar

  • 2º semestre de 2026: início da obra do cabo Synapse, da V.tal.
  • Julho de 2027: primeiro módulo do data center do Pecém.
  • 2029–2030: conclusão prevista do Synapse.

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