Radar · Angola · 13 de outubro de 2026
Brasil e Angola no agro: protocolo assinado, financiamento ainda em aberto
O Terra Lunda prevê 20 mil hectares e cerca de US$ 83 milhões. A estrutura de crédito proposta ainda não tem compromisso firme das instituições.
Em viagem a Angola, o ministro da Agricultura, André de Paula, firmou um protocolo de investimentos agropecuários, e o Fundo Soberano de Angola passou a integrar o Terra Lunda, projeto-piloto do Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil-Angola. A meta é desenvolver 20 mil hectares na província da Lunda Norte, com investimento estimado em cerca de US$ 83 milhões (Sputnik Brasil, republicada pela Tribuna do Agreste em 9/10).
Como o projeto pretende fechar a conta
No Fórum Agronegócio Angola-Brasil, em Luanda, em agosto, o ministro angolano da Agricultura, Isaac dos Anjos, detalhou o desenho: implantação entre 2027 e 2030, com cerca de 5 mil hectares por ano, e uma proposta de financiamento dividida assim: BNDES 45%, BB Proex 23%, Banco de Desenvolvimento de Angola 5%, Fundo Soberano 17% e produtores 10%. O próprio ministro reconheceu que as instituições financeiras ainda não tinham decisão firme nem compromisso público (Mercado, 12/08). Angola também identificou 800 mil hectares para levantamento e planejamento de uso, que precisam ser concluídos antes de qualquer projeto.
O contexto
Angola tem cerca de 36 milhões de hectares de terra arável. As famílias cultivam cerca de 6 milhões, e o setor empresarial usa menos de 1 milhão. O país ainda depende em grande medida da importação de alimentos. A concorrência é pesada: as reportagens citam União Europeia, Estados Unidos, China, Emirados Árabes, Turquia, Arábia Saudita e Portugal, e apontam que alguns concorrentes oferecem condições de financiamento mais atrativas. Na pesquisa, já existe cooperação: um acordo da Embrapa, de maio de 2025, de US$ 1,94 milhão, financia a formação de pesquisadores angolanos.
Nossa leitura
Pelo desenho proposto, 68% do dinheiro viria de duas instituições brasileiras de crédito e de apoio à exportação, o BNDES e o BB Proex. Angola entraria com 22% e os produtores com 10%. O financiamento e o plano agrícola andam juntos, então a decisão de crédito vira o ponto de partida: sem recurso, como disse o presidente do Instituto Brasil-África à Sputnik, o projeto fica no papel. A pergunta de território vem logo depois: com famílias cultivando 6 milhões de hectares, como o levantamento dos 800 mil hectares vai incluir quem já usa a terra?
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